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Publicado em 28 de jan de 2016. O novo boletim divulgado nesta quarta-feira (27) aponta também que 270 casos já tiveram confirmação de microcefalia, sendo que 6 com relação ao vírus Zika. Outros 462 casos notificados já foram descartados. Ao todo, 4.180 casos suspeitos de microcefalia foram registrados até 23 de janeiro.

Coutinho defende investimento no grupo JBS e nega prejuízo com Eike Batista

Geraldo Magela/Agência Senado
O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, afirmou que o investimento no grupo JBS Friboi foi feito sem uso de dinheiro público. Segundo ele, os negócios foram feitos pela BNDESPar, que é uma subsidiária do banco criada especificamente para atuar no mercado de capitais. O executivo participou, nesta terça-feira (14), de audiência pública conjunta nas Comissões de Assuntos Econômicos (CAE) e de Infraestrutura (CI).

Luciano Coutinho garantiu que a BNDESPar tem lucros acumulados nos últimos oito anos de R$ 23 bilhões e é sócia de grandes empresas de capital aberto, além de mais de 200 pequenas empresas consideradas inovadoras.

— Nenhuma participação acionária da BNDESpar se deu com um centavo de subsídio público, porque não é dinheiro que veio do Tesouro Nacional. Foi dinheiro do giro da carteira de ações e com o objetivo de realizar lucro. A BNDESpar gera lucro para o BNDES e tem respondido por 40% do lucro do banco [...]. Foi um negócio rentável e vai gerar recursos para novos investimentos em novas empresas — declarou.

O líder do DEM, senador Ronaldo Caiado (GO), criticou o investimento maciço do banco num grupo empresarial, afirmou que a iniciativa prejudicou os produtores do Centro-Oeste e classificou de estarrecedora a situação das plantas frigoríficas na região.

— Todas as plantas frigoríficas foram fechadas porque o BNDES elegeu o JBS, o qual, aliás, repassou R$ 368 milhões para campanhas e R$ 144 milhões para o PT. Em vez de cumprir sua função social, ao alavancar uma empresa como a JBS, depredou toda a estrutura frigorífica do Centro-Oeste. Ou seja, desenvolveu uma estrutura de oligopólio na área de carne — reclamou Caiado.

O senador Reguffe (PDT-DF) também saiu em defesa da desconcentração dos investimentos da instituição. Para ele, para um banco que tem a letra "S" no nome, seria mais justo financiar milhares de pequenos empreendedores que precisam de ajuda financeira.

— O BNDES apoiou a Sete Brasil Investimentos para construção de sondas no valor de R$ 10 bilhões, numa operação sobre a qual paira uma série de dúvidas. Independente disso, com este valor o banco poderia financiar 100 mil pequenos empreendimentos no valor de R$100 mil.  Ou seja, em vez de dar R$10 bi para uma única empresa, o BNDES poderia financiar 100 mil pequenos empreendimentos — argumentou.

Segundo Coutinho, 62% do mercado frigorífico brasileiro ainda é dominado por pequenas e médias empresas e, além disso, entre 2005 e 2008 houve um ciclo de investimento muito intenso, com euforia em relação ao potencial do segmento.

— Com isso, formou-se grande capacidade ociosa, que gerou disputa forte e levou a dificuldades sérias muitas empresas. Estamos submetidos ao Cade [Conselho Administrativo de Defesa Econômica] e temos que zelar pela concorrência — explicou.

O presidente do BNDES esclareceu que o investimento na Sete Brasil não chegou a ser concretizado, e, se tivesse sido feito, teria envolvido uma grande cadeia produtiva, alcançando 200 mil empregos.

— Além disso, o banco realizou, no ano passado, mais de 800 mil operações de crédito com microempresas, pequenas empresas, através do cartão BNDES — acrescentou.

Eike Batista

O senador Lasier Martins (PDT-RS), por sua vez, citou reportagem do jornal Financial Times, segundo a qual 60% dos empréstimos do BNDES vão para grandes conglomerados econômicos, os chamados campeões nacionais.

— E aí a pergunta que é feita pelo jornal inglês, e nós brasileiros temos o direito de fazer: como justificar, por exemplo, que a BNDESPar seja dona de 17,3% da Petrobras? Como justificar o empréstimo para o empresário Eike Batista? — questionou.

Coutinho negou que o BNDES tenha sofrido prejuízo com investimentos no Grupo X, de Eike Batista. Segundo ele, o banco não deu crédito à OGX, companhia responsável por boa parte dos problemas do conglomerado.

— O BNDES não concedeu crédito e nem investiu na empresa que foi a origem de todo o problema do grupo, a OGX. A empresa foi financiada no mercado de capitais e houve expectativa de que apresentaria desempenho extraordinário; isso não ocorreu, e as ações caíram. Não havíamos investido e não fomos afetados — garantiu.

Campanhas políticas

O investimento em empresas que financiaram campanhas políticas foi outro tema abordado na reunião. O executivo afirmou que é impossível associar a concessão de crédito pelo BNDES a promessas de doação de qualquer tipo, inclusive de campanhas políticas. Ele enfatizou que doar ou não para candidatos é decisão privativa das empresas.

— Temos participação transitória nos conselhos e não interferimos na gestão da empresa privada, salvo para zelar pelas regras de governança e respeito à lei. Não há no processo de concessão de credito qualquer coisa dessa natureza, dado o caráter técnico do processo — explicou.

Caminhoneiros

O senador Blairo Maggi (PR-MT) mostrou-se preocupado com a dívida dos caminhoneiros e pediu apoio do banco para aprovação da Medida Provisória 661/2014, que autoriza o refinanciamento de dívidas contraídas por caminhoneiros e por empresas com faturamento de até R$ 42, milhões na compra de veículos.

— O setor ameaça uma nova greve agora, no dia 22. Houve todo um esforço que foi feito na comissão mista, com essa medida provisória, para dar o sinal de que, sim, será feita a renegociação — disse.

Prestação de contas

Depois de criticar o que classificou de "empréstimos com viés ideológico" a países da América Latina, o senador José Agripino (DEM-RN) sugeriu que o presidente do BNDES compareça ao Senado de dois em dois meses para dar informações sobre as atividades do banco, assim como já faz o presidente do Banco Central.

Agência Senado

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