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Publicado em 28 de jan de 2016. O novo boletim divulgado nesta quarta-feira (27) aponta também que 270 casos já tiveram confirmação de microcefalia, sendo que 6 com relação ao vírus Zika. Outros 462 casos notificados já foram descartados. Ao todo, 4.180 casos suspeitos de microcefalia foram registrados até 23 de janeiro.

Infectologista defende vacinação de meninos contra o HPV - para prevenir câncer de cabeça e pescoço, além do canal anal

O aumento das doenças causadas pelo papiloma vírus humano (HPV) em homens e o papel do sexo masculino para transmitir a infecção são as principais justificativas para vacinação também dos meninos, segundo informou hoje (19) o infectologista Edson Moreira. Esta semana, na capital paulista, o médico participará de um simpósio sobre o tema no X Congresso da Sociedade Brasileira de Doenças Sexualmente Transmissíveis e VI Congresso Brasileiro de Aids.

As conclusões apresentadas por Moreira são baseadas em estudo com 3,6 mil homens de todos os continentes, de modo a avaliar o desempenho da vacina contra HPV. Metade dos participantes da pesquisa não recebeu o medicamento, apenas um placebo simulando a imunização. Segundo ele, a partir daí foi possível observar o comportamento da infecção nos homens.

De acordo com o médico, aproximadamente 60% da população masculina adulta está contaminada pelo vírus. Porém, ele tende a desenvolver doenças mais graves com mais frequência em mulheres. Entre o sexo feminino, Moreira estima que quase 10% das adultas portam o vírus.

“Isso sugere também que os homens funcionam como um reservatório, uma fonte de transmissão para as mulheres”, explicou.

Apesar do HPV ser conhecido como grande causador do câncer e colo do útero, o especialista alertou que doenças com prevalência em homens têm aumentado. “Existem canceres crescendo de frequência, entre eles o do canal anal e o de orofaringe [boca e garganta]. Nas últimas três décadas, eles quase dobraram de frequência.”
Para Edson Moreira, o HPV é responsável por 5% - 600 mil – dos 13 milhões de novos casos de câncer que surgem por ano em todo o mundo.

Moreira lembrou ainda que as mulheres costumam fazer exames periódicos para detectar doenças como o câncer do colo do útero, o que não ocorre com os homens. “Os canceres a que nos referimos em homens não têm nenhum tipo de triagem. A única alternativa de proteção é a vacinação”, esclareceu.

Segundo o médico, a vacina contra HPV masculina está aprovada no Brasil desde 2011. A versão para mulheres foi liberada em 2006 e já faz parte do calendário das campanhas de vacinação.

“Estudos de custo efetividade mostram que também vale a pena vacinar meninos, não só pela proteção às doenças que do sexo masculino. Quando vacinamos meninos, a gente protege também as meninas”, concluiu.

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