Médicos em todo o país devem
orientar seus pacientes a fazer exames para detecção de HIV, sífilis e
hepatites B e C. É o que prevê a Recomendação nº 2/2016, aprovada pelo plenário
do Conselho Federal de Medicina (CFM). O objetivo é ampliar o diagnóstico em
tempo oportuno de doenças infectocontagiosas.
De acordo com o conselho, a
orientação visa a facilitar a abordagem de infecções sexualmente transmissíveis
feita pelo médico durante a consulta. Caso os testes ou a vacinação não tenham
sido feitos previamente, o profissional de saúde deve orientar o paciente,
conforme o caso, sobre a necessidade da execução.
"A recomendação é um
instrumento normativo. Está entre a resolução, que tem força compulsória, e o
parecer, que é uma norma reguladora. É como se fosse um parecer de maior
relevância, ao qual os médicos devem prestar especial atenção e de grande
Importância social", explicou o presidente do CFM, Carlos Vital.
O cumprimento da norma, segundo
ele, terá impacto individual, evitando a progressão da infecção no paciente, e
também impacto coletivo, diminuindo o risco de disseminação de doenças
infectocontagiosas. Serviços de saúde dos Estados Unidos e de alguns países
europeus já orientam seus médicos a oferecer testagem para o HIV.
"É preciso que os médicos
estejam cada vez mais engajados na doutrina da prevenção e na orientação aos
seus pacientes", reforçou Vital.
O professor titular de
infectologia e bioética da Universidade Federal de Minas Gerais, Dirceu Greco,
destacou que, em nenhuma circunstância, a realização do exame será compulsória.
Segundo ele, quando alguma dessas infecções for detectada, deverá ser feita
notificação à Secretaria Estadual de saúde, respeitando e garantindo sempre a privacidade,
o sigilo e a confidencialidade do paciente.
"É preciso avaliar o
histórico pessoal do paciente. Vale ressaltar que não há mais grupo de risco ou
comportamento de risco para nenhuma dessas patologias. Há situação de risco,
como sexo desprotegido com um parceiro desconvencido", explicou.
Dados do CFM mostram que, no
Brasil, cerca de 25% dos casos de HIV são diagnosticados quando o paciente já
apresenta contagem de linfócitos CD4 abaixo de 200 células por milímetro cúbico
(mm3), o que significa estado avançado de imunossupressão. A contagem normal em
um adulto deve ficar acima de 500 células por mm3.
A expectativa do conselho é
que, com a medida, mais pessoas sejam diagnosticadas antes que a contagem de
linfócitos CD4 fique abaixo de 200 células por mm3. Em 2015, conforme boletim
epidemiológico do Ministério da Saúde, 40% dos soropositivos foram diagnosticas
com CD4 maior do que 500; 18% com CD4 entre 350 e 499; 17%, entre 200 e 349 e
25% com menos de 200 CD4 por mm3.
No caso da sífilis, gestantes
e crianças são as únicas populações nas quais a doença deve ser
compulsoriamente notificada no Brasil. Não há, segundo o CFM, números
confiáveis sobre infecções por sífilis em todo o país. Dados da Organização
Mundial da Saúde indicam que existem no mundo 12 milhões de pessoas com sífilis
adquirida, sendo que o acréscimo anual é de 714 mil novos casos.
Os últimos dados do Ministério
da Saúde relativos a hepatites no Brasil revelam que, de 1999 a 2011, foram
notificados 343.853 casos da doença, com uma média de 40 mil novos casos por
ano. As hepatites A e B concentram o maior número de casos. As duas principais
vias de transmissão de hepatites são o uso de drogas venosas e o contato com
sangue.
Paula Laboissière - Repórter da Agência Brasil

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