A Associação dos Laboratórios
Farmacêuticos Oficiais do Brasil (Alfob) fundada há mais de trinta anos,
congrega os produtores públicos de medicamentos, soros, vacinas, kits para
diagnóstico, biofármacos, hemoderivados, produtos para saúde e produtos e
serviços complementares às atividades de interesse do Sistema Único de Saúde
(SUS).
Históricamente, os produtores públicos
têm contribuido para a consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS) e para a
garantia de acesso a medicamentos essenciais. Além da atividade fabril
propriamente dita, constituem importante instrumento na regulação de mercado
bem como na implantação de políticas públicas de interesse para o Complexo
Industrial da Saúde.
Na obra “Da Botica Real Militar ao
Laboratório Químico Farmacêutico do Exército”, de autoria dos Farmacêuticos
militares João Paulo Vieira e Eduardo Pinto, encontramos a origem dos
Laboratórios Oficiais. Sua história se confunde com história do País, da saúde
coletiva, as campanhas e o próprio movimento sanitarista, especialmente na área
de soros e vacinas, com destaque para instituições como Butantan, Fundação
Ezequiel Dias, Instituto Vital Brazil.
Após a fase de expansão vivenciada na
década de setenta, os anos noventa trouxeram um ambiente extremamente
competitivo e complexo em função de fatores como abertura e globalização
econômica, lei de patentes, criação do novo marco regulatório, genéricos,
descentralização e judicialização da assistência farmacêutica, entre outros.
Neste período, houve sensível diminuição da participação dos produtores
oficiais no atendimento ao mercado público de medicamentos, em que pese a
experiência do licenciamento compulsório para internalização de tecnologia
estratégica para tratamento de portadores do HIV.
Por sua vez , o setor privado soube
responder rapidamente aos desafios apresentados. Por exemplo, aderiu fortemente
à política de genéricos, representando importante estratégia para ampliação do
acesso a medicamentos e para o fortalecimento do parque produtivo instalado no
País conforme observado nos últimos 15 anos.
Agora, chegamos a um momento chave, onde
a possibilidade de internalização tecnológica se constitui em importante aliada
na promoção do acesso a tecnologias consideradas estratégicas. Assim, esta
trajetória cristaliza alguns entendimentos fundamentais para o efetivo
fortalecimento do Complexo Industrial da Saúde e do próprio SUS, além de
revitalizar o conceito, o propósito e o desempenho da rede de produtores
públicos.
Primeiramente é
inquestionável a necessidade de mantermos, defendermos e aprimorarmos a
política do Complexo Industrial da Saúde, em especial a política de Parceira de
Desenvolvimento Produtivo (PDP), tendo em vista a promoção do acesso, a
economia gerada para os gestores públicos bem como o desenvolvimento econômico
do setor.
Neste contexto, apoiamos e
compartilhamos da atual visão da SCTIE, com relação à simplificação de fluxos e
processos envolvidos nesta política, à organização de câmaras técnicas do GECIS
bem como no que concerne a atuação dos oficiais enquanto potenciais ICT`s.
Por último, considerando os elementos
acima descritos e o papel da Alfob como líder e representante dos Laboratórios
associados junto aos diversos atores envolvidos nesta política, encaminhamos
respeitosamente nossa contribuição para construção da agenda prioritária (Agenda
comum do GECIS e do Fórum Permanente de Articulação com a Sociedade Civil) tendo
em vista aprimorar as ações e programas em andamento.
1.
Estabelecimento
de uma lista ampliada de Produtos Estratégicos que contemple, além dos produtos
prioritários para Parcerias de Desenvolvimento Produtivo (PDP), as demandas
identificadas nos outros níveis de gestão, Estadual e Municipal, com relação
aos produtos médicos e a todos os componentes da assitência farmacêutica.
Espera-se que uma lista ampliada de Produtos Estratégicos possa reorientar a
atuação dos produtores públicos além de ensejar novas relações entre os laboratórios
públicos e/ou privados (farmacêuticos e farmoquímicos), independente da
formatação de uma PDP ou da existência de compra centralizada;
2.
Aprovação
da participação ativa dos Laboratórios Oficiais, através da Alfob, na
formulação de políticas, programas e projetos relacionados ao Complexo
Industrial da Saúde, bem como na elaboração da lista de produtos e tecnologias
estratégicas para o SUS;
3.
Priorização
dos Laboratórios Oficiais na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa),
considerando o papel estratégico dos laboratórios oficiais para um projeto de
Estado;
4.
Avaliação
de inconsistências na política de PDP, de modo a facilitar o aprimoramento
contínuo, além de favorecer a confiança e uma previsibilidade mínima para os
atores envolvidos;
5.
Análise
do instrumento de avaliação das propostas de PDP, buscando maior equilíbrio
entre aspectos formalistas, de mérito ou que envolvam certa subjetividade;
6.
Avaliação
do impacto de estratégias corporativas, como subsídios através de organismos
internacionais, sobre a política do Complexo Industrial da Saúde;
7.
Regulamentação
das parcerias na área de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação.

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