Foto: Peter Illiciev/Fiocruz
Biólogo Gabriel Sylvestre
mostra Dispositivo de Liberação de Ovos (DLO), recipiente onde há ovos de Aedes
aegypti com Wolbachia
Trazido ao País pela Fundação
Oswaldo Cruz (Fiocruz), o projeto de pesquisa ‘Eliminar a Dengue: Desafio
Brasil’ é parte de uma iniciativa científica internacional pioneira que estuda
o uso da bactéria Wolbachia como uma alternativa natural, segura e
autossustentável para o controle da dengue.
Quando inserida no mosquito
Aedes aegypti, a bactéria é capaz de reduzir a transmissão dos vírus dengue e
chikungunya. Recentemente, também foi demonstrado que a Wolbachia pode fazer o
mesmo em relação ao vírus zika.
Durante sua visita nesta
quinta (10) à Fiocruz (Instituto Bio-Manguinhos), no Rio de Janeiro (RJ), a
presidenta Dilma Rousseff acompanhou de perto a atual fase de desenvolvimento
do projeto. O projeto faz parte do programa internacional ‘Eliminar a Dengue:
Nosso Desafio’, que também realiza estudos na Austrália, Vietnã, Indonésia e
Colômbia. No Brasil, os bairros de Tubiacanga, na Ilha do Governador, na cidade
do Rio de Janeiro, e de Jurujuba, em Niterói, que participam do projeto.
Há ainda o projeto Unidades
Disseminadoras, que funciona como uma armadilha com inseticida. Ao passar por
ela, a fêmea do mosquito fica impregnada com a substância e a leva até o
criadouro. Assim dissemina a ação inseticida e elimina as larvas até mesmo em
focos não identificados pela população e pelos agentes de saúde.
Veja no vídeo abaixo como o
método funciona:
Mais da metade dos insetos do
mundo possuem a bactéria Wolbachia. Depois de milhares de tentativas, a equipe
do Programa ‘Eliminar a Dengue’, na Austrália, conseguiu introduzir a Wolbachia
dentro do ovo do Aedes aegypti, através de microinjeções e sem o uso de
qualquer tipo de modificação genética.
A bactéria é passada
naturalmente da mãe para os filhotes. “Este é um diferencial do projeto, pois
garante a sua autossustentabilidade sem a necessidade de liberações frequentes
de Aedes aegypti com Wolbachia”, afirma pesquisador da Fiocruz Luciano Moreira,
coordenador do projeto no Brasil.
Na atual etapa do projeto, os
pesquisadores avaliam a liberação de mosquitos adultos e a liberação de ovos –
neste caso, é usado o Dispositivo de Liberação de Ovos (DLO), um recipiente
plástico com tampa e pequenos furos nas laterais. Os DLOs são hospedados na
residência de moradores que colaboram com a iniciativa – os chamados
‘anfitriões’ do projeto.
No interior do recipiente há
ovos de Aedes aegypti com Wolbachia, água e alimento para as larvas que vão
nascer. Cerca de sete a dez dias depois da instalação do DLO, os ovos darão
origem aos mosquitos adultos, que voarão gradativamente para fora do recipiente
por meio dos furos.
“Estamos em busca de
metodologias de liberação dos mosquitos Aedes aegypti com Wolbachia que sejam
ao mesmo tempo mais eficazes e mais baratas. Devido à facilidade logística e ao
menor custo, o DLO permite que áreas maiores sejam trabalhadas, possibilitando,
no futuro, a ampliação da área de atuação do projeto”, explica o coordenador do
projeto.
Fonte: Blog do Planalto, com
informações da Fiocruz


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